Pelo fim da propaganda de bebidas alcoólicas!

domingo, 3 de junho de 2012

Economia verde gera 60 milhões de empregos



Estudo da Organização Internacional do Trabalho prevê que transição para a economia verde irá criar entre 15 milhões e 60 milhões de postos de trabalho e tirar milhões de trabalhadores da pobreza.
Da redação
São Paulo – A transição para a economia verde poderá gerar entre 15 milhões e 60 milhões de novos empregos no mundo nas próximas duas décadas, de acordo com um estudo divulgado nesta quinta-feira (31) pela Organização Internacional do Trabalho (OIT). Segundo o relatório, essa transição também tem potencial de tirar "centenas de milhões" de trabalhadores da pobreza. O estudo foi feito pela Iniciativa Empregos Verdes, uma parceria entre a OIT, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), a Confederação Sindical Internacional (CSI) e a Organização Internacional de Empregadores (IOE).

Segundo a OIT, a transição para a energia verde já começou. Cerca de cinco milhões de pessoas trabalham atualmente no setor de energias renováveis, mais que o dobro de pessoas que atuavam nesta área entre 2006 e 2010.

Aproximadamente 1,5 bilhão de trabalhadores, o equivalente a metade da força de trabalho mundial, serão afetados pela transição para a economia verde. Estes trabalhadores estão em oito setores da economia que exercerão um papel central na economia verde, segundo a avaliação da OIT: agricultura, extração florestal, pesca, energia, manufatura intensiva, reciclagem, construção e transporte.

O estudo avalia que os países em desenvolvimento têm uma chance maior de obter os ganhos previstos pela energia verde do que aqueles já desenvolvidos. Isso ocorrerá porque os países emergentes poderão investir na economia verde durante sua fase de crescimento, enquanto os industrializados precisarão substituir sua infraestrutura obsoleta.

No Brasil, por exemplo, aproximadamente três milhões de pessoas já trabalham na economia verde, o equivalente a 7% da força de trabalho formal do país. Nos Estados Unidos outras três milhões de pessoas trabalham em setores relacionados ao meio ambiente. Na Espanha, são aproximadamente 500 mil empregados neste setor.

Em nota divulgada pela OIT, o diretor-geral da instituição, Juan Somavia, afirmou que é "urgentemente" necessário trilhar o caminho do desenvolvimento sustentável com um conjunto coerente de políticas que tenham o planeta e as pessoas como foco. Ele disse que a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, que será realizada em junho no Rio de Janeiro, também irá tratar da importância do trabalho na economia verde. "A Rio+20 será um momento crucial para fazer do trabalho decente e da inclusão social partes de qualquer estratégia de desenvolvimento futuro", afirmou.

O levantamento indica, contudo, que os empregos na economia verde só serão criados e os trabalhadores só serão inseridos nesta realidade se políticas adequadas forem adotadas por empresas, governos e sociedade. Algumas dessas políticas compreendem implantar processos de produção sustentáveis especialmente em pequenas e médias empresas.

Banco Mundial

Também na quinta-feira (31), o Banco Mundial divulgou um relatório em que afirma que os recursos naturais da América Latina e do Caribe (LAC) podem se esgotar em 15 a 20 anos se os países da região não adotarem políticas que garantam o desenvolvimento sustentável.
Segundo o relatório, que foi apresentado no Woodrow Wilson Center, em Washington, a região pode ser vítima da "bonança" econômica dos últimos anos. O crescimento do Produto Interno Bruto de 4% ao ano em média e as 70 milhões de pessoas que deixaram a pobreza levaram a uma urbanização acelerada, tornaram um futuro verde "mais difícil".

Mesmo assim, diz o estudo, os países têm adotado medidas que "envolvem uma agenda verde". É o caso do aumento da coleta de lixo, da implantação de transporte coletivo de massa, a substituição de fontes de energia e o incentivo a projetos de reflorestamento. Também é uma medida importante neste processo, segundo o Banco Mundial, a recuperação de áreas urbanas degradadas, como ocorre no Rio de Janeiro, em Lima e na Cidade do México.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Floresta Sustentável e Consumo Consciente


Entrevista com Prof. Ricardo Abramovay: Seminário “Floresta Sustentável e Consumo Consciente”



Gabriela Leal
gchaves@redegazeta.com.br
Como os seus hábitos de consumo interferem na preservação das florestas? Qual o papel de cada um quando o assunto é economia sustentável? Essas são só algumas das perguntas que vão nortear a palestra “Floresta Sustentável e Consumo Consciente” que será ministrada amanhã, no auditório da Rede Gazeta, pelo professor Ricardo Abramovay, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP. O evento é o primeiro de três encontros do projeto “Ano Internacional das Florestas – Florestas do ES”, realizado por A GAZETA em parceria com a Premium Marketing. Na entrevista abaixo, ele afirma que, para haver mais verde no futuro, é preciso mais diálogo entre empresas, instituições e a população com maior poder aquisitivo sobre novas formas de consumo.
Qual é o maior desafio das ações de desenvolvimento sustentável?
O consumo, sem dúvida, é o ponto mais difícil de se discutir.
Por quê?
Primeiro porque as exigências que algumas campanhas interferem na liberdade de escolha e na vida social das pessoas. Segundo, porque dentro desse problema existe outro: a questão da desigualdade social.
Explique melhor…
Nos tempos atuais, cerca de 80 milhões de pessoas por ano ingressam no grande grupo de consumo que exerce pressão sobre os recursos naturais, mas o problema não reside nesse número de pessoas que estão com um padrão de vida cada vez melhor. A gravidade está nas pessoas que exageram no consumo.
Dê um exemplo.
Um norte-americano vale 72 habitantes de Bangladesh, porque produz muito mais lixo, gasta mais energia… Os responsáveis por grande parte dos problemas ambientais são os países desenvolvidos e as pessoas favorecidas dos países em desenvolvimento, como o Brasil. É nesses sujeitos que os debates sobre consumo devem ser focados.
E como deve acontecer essa conscientização?
É importante uma atitude macro, muito mais do que conscientização. Não adianta falar com pessoa por pessoa se existem por aí campanhas publicitárias que induzem ao consumo predatório a todo instante. O ideal é chamar atenção das instituições e das grandes empresas, desde as alimentícias às automobilísticas. A conversa tem que ser com esse público do alto escalão.
Serviço
Palestra: “Floresta Sustentável e Consumo Consciente” com o professor Ricardo Abramovay
Quando: amanhã, das 14h às 17h
Informações: 3315-7071
Inscrições: www.florestasdoes.com.br
Siga o Twitter do projeto: @florestasdoes

Em busca do capitalismo sustentável

RICARDO ABRAMOVAY



O capitalismo está sob cerco. As empresas são vistas, cada vez mais, como causas de grandes problemas sociais, econômicos e ambientais. A percepção pública é que lucram à custa da comunidade. A chamada responsabilidade corporativa em nada atenuou essa situação. A legitimidade dos negócios (e, portanto, da própria atividade empresarial) caiu a níveis mais baixos que nunca antes na história.

O julgamento não vem de membros do Occupy Wall Street, da Via Campesina ou do Comandante Marcos. Está logo nas primeiras linhas do texto que dois gurus da administração empresarial contemporânea, Michael Porter e Mark Kramer, publicaram alguns meses atrás na "Harvard Business Review".

Mas não se trata de um desabafo isolado e excêntrico. O tom é cada vez mais frequente em documentos das grandes consultorias globais. Em fevereiro último, uma empresa fundada por Al Gore, a Generation Investment Management, publicou uma espécie de manifesto cujo título pode suscitar um sorriso irônico, mas é certamente sinal dos tempos: Capitalismo Sustentável.

Seus autores reivindicam nada menos que um novo paradigma: "Um quadro que procure maximizar a criação de valor econômico de longo prazo, reformando os mercados para que respondam a reais necessidades, levando em conta todos (sublinhados no original) os custos e todos os stakeholders".

Três ideias são aí importantes: em primeiro lugar, está a ruptura com o que caracterizou o sistema econômico mundial dos últimos 30 anos, que é o predomínio quase absoluto das finanças na tomada de decisões empresariais. O resultado desse predomínio é uma obsessão com os ganhos de curto prazo. Segundo muitos economistas, isso deveria resultar em maior fluidez e, sobretudo, em melhores escolhas dos investimentos, uma vez que não seriam mais as burocracias empresariais que tomariam as decisões e, sim, uma instância descentralizada, pulverizada e dotada de mecanismos automáticos de correção: o mercado. A crise de 2007/2008 mostrou a destruição social a que essa crença mágica conduziu. Várias empresas já começam a insurgir-se contra a prática de organizar suas contas como parte do jogo especulativo das finanças.

A segunda ideia fundamental do documento da Generation Investment Management está na expressão "reais necessidades". Não se trata apenas de julgar a utilidade daquilo que se produz por sua capacidade de gerar empregos, propiciar arrecadação de impostos e estimular a inovação. Nem tampouco de identificar eficiência com atendimento genérico à demanda.

Trata-se de saber se o sistema econômico está preenchendo "reais necessidades". Definir essa expressão é difícil. Pode dar lugar à tentação autoritária. Ao mesmo tempo (e é para isso que chamam a atenção tanto Porter e Kramer como a Generation Investment Management), parte muito importante dos bens e serviços que emergem do sistema econômico não preenche "reais necessidades". A epidemia global de obesidade não pode ser desligada das práticas da indústria alimentar. Em 2010, a obesidade já atingia 35,7% dos adultos e 17% das crianças norte-americanas. Um exemplo dado pelo Centers for Disease Control and Prevention dos Estados Unidos mostra a gravidade do problema: uma pessoa de 1,75 é considerada obesa quando seu peso é superior a 92 quilos. Com mais de um terço da população norte-americana nessa condição, será que se pode dizer que a indústria alimentar responde a reais necessidades?

Mas não é só na alimentação que se verifica a distância entre o que predomina na atividade empresarial e aquilo que a Generation Investment Management chama de reais necessidades: os engarrafamentos de trânsito e o inútil esforço de contorná-los por meio de obras cada vez mais caras e destrutivas da paisagem urbana não podem ser dissociados do que faz a indústria automobilística. Num encontro realizado em 2010, a Audi contratou um amplo grupo de consultores para discutir como se converter de indústria que produz carros em indústria voltada para atender às reais necessidades de mobilidade das pessoas. O interessante nessa discussão (e fundamental para o empreendedorismo social) é que a noção de necessidades deixa de ser um tema filosófico abstrato, um assunto de governo ou de organizações de consumidores. Terá que integrar o âmago das decisões empresariais.

A terceira ideia importante na frase da Generation Investment Management refere-se aos custos da atividade empresarial. A consultoria global Trucost calculou os danos ambientais embutidos nas atividades das 3.000 maiores corporações globais. Foram levados em conta apenas três fatores: emissões de gases de efeito estufa, uso da água e geração de lixo. Não estão aí, por exemplo, as perdas sociais derivadas dos engarrafamentos ou das doenças provocadas pela obesidade. Mesmo assim, os resultados são chocantes: US$ 2,15 trilhões. Isso corresponde a nada menos que metade de seus lucros (o que os especialistas chamam, na sigla em inglês de Ebitda: ganhos antes dos pagamentos de juros, impostos, depreciação e amortização). Orelatório da consultoria global KPMG onde se encontram essas informações mostra que estes custos ambientais estão aumentando: eles dobram a cada 14 anos. Os piores impactos ambientais são os da indústria alimentar: 224% daquilo que ganha. E é importante frisar: são custos ocultos, não se incorporam aos preços, é a sociedade como um todo que os paga sob a forma de perdas ecossistêmicas muitas vezes irreparáveis.

Criação de valor a longo prazo, produção voltada a melhorar o bem-estar das pessoas, das comunidades e de seus tecidos territoriais e capacidade de preservar e regenerar os serviços ecossistêmicos dos quais dependem as sociedades humanas: o maior desafio de nosso tempo é juntar empresas, governo e sociedade civil no enfrentamento desses desafios. Até aqui, manifestações como as de Porter e Kramer, da Generation Investment Management e o diagnóstico da KPMG são francamente minoritárias no meio empresarial. Mas são visionárias e sinalizam para a emergência de uma nova economia em que ética e respeito aos limites dos ecossistemas estejam no centro das decisões.
RICARDO ABRAMOVAY, professor titular da FEA e do IRI/USP, pesquisador do CNPq e da Fapesp, é autor de "A Transição para uma Nova Economia", a ser lançado na Rio+20 pela ed. Planeta Sustentável.

O mito da energia abundante





artigo de Ricardo Abramovay 
20 jun 2011



O avanço das renováveis não pode alimentar a crença de que os limites naturais deixam de existir com a menor dependência das fontes fósseis



Comentário Akatu: Como será necessário um longo tempo para que se faça a substituição das energias fósseis por renováveis, e, desta forma, reduzir o impacto sobre o aquecimento global, é ainda mais importante a consciência do consumidor no sentido de buscar reduzir o seu uso de energia. Sendo os consumidores mais conscientes no uso de energia, menos energia será demandada e, desta forma, menor será o impacto do uso de energias derivadas de combustíveis fósseis sobre o aquecimento global durante todo o período até a substituição das mesmas por energias de fontes renováveis.


É preciso cuidado com a principal conclusão do relatório lançado pelo IPCC em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, na segunda semana de maio: a energia renovável poderá mover a economia mundial já em 2050 [1].  É bem verdade que, mesmo antes da divulgação do estudo completo (que só estaria disponível no início de junho de 2011 e tem mais de mil páginas), as informações do sumário para os gestores públicos são impactantes.
Quarenta e sete por cento do aumento na capacidade de geração de energia elétrica no mundo, em 2008 e 2009, vieram de fontes não fósseis.  Os países em desenvolvimento respondem por mais da metade dessa elevação.  Em 2009, a energia eólica expandiu-se 32% e a originária de células fotovoltaicas 53%, com relação ao ano anterior.  A participação dos biocombustíveis na matriz energética mundial dos transportes cresceu de 2% para 3% entre 2008 e 2009.  Também se ampliaram de maneira considerável as energias renováveis descentralizadas, sobretudo em regiões rurais.  A curva de aprendizagem das energias renováveis tem levado à redução em seus preços: o silicone presente nas células fotovoltaicas caiu de US$ 65 em 1976 a US$ 1,4 em 2010.  O custo da produção elétrica eólica nos EUA desceu de US$ 4,3 por watt em 1984 para US$ 1,9 em 2009.
Mas a mensagem central do relatório só pode inspirar precaução: “O potencial técnico global das fontes de energias renováveis não limitará o crescimento continuado de seu uso” (página 7 do resumo para gestores públicos).  Os estudos compilados pelo IPCC indicam que a oferta dessas fontes poderia ser maior que a demanda de energia derivada da expansão econômica mundial.  As promessas estão na energia solar, seguida pela biomassa, pela eólica e pela geotérmica.  Em 2050, nada menos que 80% da energia da qual depende o planeta poderiam vir de fontes não fósseis.
Infelizmente, porém, não é esta a leitura mais realista que se pode fazer das próprias informações do trabalho do IPCC.  Primeiramente, deve-se lembrar que o ponto de partida das energias renováveis é muito baixo.  A cifra de quase 13% da matriz mundial corresponde, na verdade, em sua maioria, à biomassa para cozinha e, em menor proporção, para aquecimento, em países muito pobres.  As energias mais promissoras partem de um patamar quase irrisório: 0,1% para a solar, 0,1% para a geotérmica, 0,2% para a eólica e 2,3% para as hidrelétricas, cujos limites de crescimento são conhecidos.  Quanto às bioenergias modernas, até aqui, somente o etanol de cana-de-açúcar oferece eficiência energética e econômica, apesar do otimismo que cerca o etanol celulósico.
Esta é a razão pela qual, longe da convergência em torno de uma suposta emancipação das energias fósseis em 2050, anunciada com certo alarde na imprensa mundial, os cenários estudados pelo IPCC são, na verdade, bem menos otimistas.  Mais da metade deles considera que, em 2030, as energias renováveis serão 17% do total, chegando a 27% em 2050.  Apenas alguns poucos cenários apontam para a perspectiva de 43% em 2030 e 77% em 2050.
Apesar das óbvias vantagens e dos imensos potenciais técnicos das energias renováveis, a transição para uma sociedade quase independente de combustíveis fósseis não será levada adiante em algumas poucas décadas.  Excesso de otimismo, nesse caso, pode desviar a atenção de duas questões decisivas.
A primeira refere-se à urgência de uma utilização mais racional e, sobretudo, mais parcimoniosa da energia e dos materiais de que depende a economia mundial.  O avanço das energias renováveis não pode estimular o mito de um mundo em que os limites dos ecossistemas deixam de existir em virtude da menor dependência com relação a petróleo, carvão e gás.
A segunda consiste em reduzir drasticamente a desigualdade no uso da energia, o que supõe mudanças fundamentais nos próprios padrões de consumo das sociedades contemporâneas: o consumo per capita de energia nos Estados Unidos, por exemplo, é mais de 15 vezes superior ao da Índia.  No planejamento da descarbonização da economia mundial, o avanço das energias renováveis é tão importante quanto a redução desse vergonhoso abismo.

[1] Acesse o relatório em www.ipcc.ch, clicando em “report”.

Ricardo Abramovay é presidente do Conselho Acadêmico do Akatu, professor titular do Departamento de Economia da FEA, do Instituto de Relações Internacionais da USP; pesquisador da Fapesp e do CNPq – www.abramovay.pro.br

Artigo originalmente publicado na edição de número 53 da revista Página 22.

A Rio+20 contra os preços mentirosos


RICARDO ABRAMOVAY

"Embora paguemos impostos para as autoridades locais por serviços como tratamento e oferta de água ou pela disposição de lixo, os verdadeiros custos de nossos impactos ambientais continuam externalizados e não entram nas contas."

A frase está no importantíssimo relatório que a Puma, empresa global de artigos esportivos, encomendou à consultoria Trucost. A Puma opera em 120 países e emprega mais de 9.000 pessoas. Seu faturamento, em 2010, foi de 2,7 bilhões de euros e seus ganhos líquidos alcançaram 202,2 milhões de euros.

O que está "externalizado", o que não faz parte das contas é o uso de recursos escassos (água, solo, biodiversidade), pelos quais a empresa, seus clientes e seus fornecedores nada pagam.

A Puma teve a coragem de solicitar a um grupo de especialistas que calculassem esses custos. Os números são chocantes. Como a Puma atua a partir de um sistema pulverizado em inúmeras firmas independentes, foi estudada sua cadeira de valor. O trabalho estimou os custos ocultos derivados da emissão de gases de efeito estufa, do uso da água, do uso do solo, da emissão de poluentes atmosféricos e da produção de lixo. Total destes cinco itens: 145 milhões de euros. Por mais que este montante não possa ser diretamente comparado com o lucro da Puma (uma vez que corresponde a muitas empresas que contribuem para a oferta final de seus produtos), é impressionante que os custos ambientais de sua cadeia de valor correspondam a mais de 70% do que ela ganhou.

A Trucost, junto com a empresa global de consultoria KPMG, acaba de lançar um relatóriodevastador sobre o uso da água por parte das 225 empresas cotadas na bolsa de valores do Japão e que compõem o famoso índice Nikkei. Seu faturamento total é superior a US$ 4,2 trilhões, ou seja, duas vezes o PIB brasileiro.

Da mesma forma que no estudo da Puma, foi analisada a cadeia de valor de vários setores industriais e agrícolas. O Japão, como vários outros países desenvolvidos, produz parte cada vez maior de sua riqueza com base em firmas situadas fora de suas fronteiras, especialmente em países com alto nível de stress hídrico, como a China e Singapura. Três quartos da água necessária para o funcionamento dessas grandes empresas japonesas encontram-se espalhados em sua cadeia de valor.

Na produção de bens pessoais e domésticos, por exemplo, caso a água fosse paga por um preço que refletisse sua real escassez, os custos corresponderiam a nada menos que 84% de todo o lucro das empresas do setor. Se a produção asiática de aço pagasse pela água que usa, o lucro das empresas seria reduzido em 42%. E isso só com relação à água, sem contar outros custos ambientais, pelos quais as empresas, seus fornecedores e clientes tampouco pagam.

Esses são apenas alguns exemplos dos mecanismos pelos quais o tamanho do sistema econômico vai ultrapassando os limites de segurança dentro dos quais os ecossistemas são capazes de oferecer os serviços fundamentais dos quais dependem as sociedades humanas.

O que a Rio+20 tem a ver com isso? Os documentos até aqui conhecidos mostram a possibilidade de um consenso em torno de três manifestações capazes de se opor a estes preços mentirosos.

Em primeiro lugar, o Produto Interno Bruto é cada vez mais reconhecido como uma forma equivocada de medir não apenas a riqueza, mas, sobretudo a capacidade real de a riqueza resultar em prosperidade e bem-estar. Novas medidas nesta direção terão que incorporar, por um lado, a real utilidade daquilo que o sistema econômico oferece e, por outro, o uso das bases materiais, energéticas e bióticas de que depende a vida social. Não se trata de mercantilizar a natureza e sim de fazer com que empresas, fornecedores e consumidores recebam do sistema de preços a sinalização a respeito da escassez e da abundância dos bens e dos serviços de que desfrutam. Assim como uma empresa ou um setor esconde esses custos, a medida do produto agregado de toda a economia tampouco o revela e, portanto, não é reveladora do real valor do que emerge do sistema econômico.

A segunda manifestação importante que pode vir da Rio+20 consiste em adotar Metas de Sustentabilidade do Milênio que tenham a mesma força política que tiveram os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, que, de certa forma, pautaram as políticas de luta contra a pobreza desde o início do Século 21. Em grande parte, essas metas já são conhecidas. Razão a mais para que sua adoção sinalize aos atores privados, públicos e associativos os imensos riscos (inclusive para os negócios, como bem assinalam os trabalhos da KPMG e da Trucost) da opacidade que marca atualmente o sistema de preços.

Em terceiro lugar, a Rio+20 pode fazer história pela criação de uma Organização das Nações Unidas para o Ambiente. Como mostra artigo recente de Marina Silva e Eduardo Viola, uma organização dessas teria a vocação de ampliar a importância dos temas socioambientais na governança global.

O espantoso é que o Brasil não tome posição firme a favor desta iniciativa. Ainda é tempo para que o país abandone o conservadorismo que marca sua posição a esse respeito, segundo o qual incorporar exigências socioambientais às regras do comércio mundial seria uma forma de estimular o protecionismo dos países ricos e as barreiras não tarifárias.
Por trás deste argumento escondem-se, na verdade, os piores interesses: os que fazem do uso gratuito dos bens comuns que são a água, o espaço carbono, a atmosfera e o solo uma forma de obter ganhos privados em detrimento do bem público e do futuro da espécie humana.
RICARDO ABRAMOVAY, professor titular da FEA e do IRI/USP, pesquisador do CNPq e da Fapesp, é autor de "Muito Além da Economia Verde", a ser lançado na Rio+20 pela ed. Planeta Sustentável.
twitter@abramovay
e-mailabramov@usp.br


terça-feira, 29 de maio de 2012

Uruguaiana - Brasil / RS






Transpetro recebe maior navio fabricado no Brasil


25/05/2012 - 18:17

Petróleo e gás



O João Cândido, encomendado pela subsidiária da Petrobras, pode transportar um milhão de barris de petróleo. A embarcação deveria ter sido entregue em 2010.
Da redação
São Paulo – O estaleiro Atlântico Sul entregou nesta sexta-feira (25) à Petrobras Transporte (Transpetro) o maior navio já construído no Brasil, o João Cândido. A embarcação recebida pela subsidiária da Petrobras deveria estar em operação desde 2010. A Transpetro afirmou que irá multar o estaleiro por causa do atraso na entrega. Ela ainda não divulgou o valor porque irá avaliar as cláusulas do contrato de compra.


O João Cândido é a primeira embarcação entregue das dez do tipo Suezmax encomendadas pela Transpetro ao Atlântico Sul. Esses navios são parte das encomendas da empresa realizadas por meio do Programa de Modernização e Expansão da Frota (Promef), que prevê investimento de R$ 10,8 bilhões na construção de 49 embarcações.

De acordo com informações da Agência Petrobras, o João Cândido tem 274 metros de extensão e 48 metros de largura. Ele tem capacidade para transportar um milhão de barris de petróleo, pouco menos da metade da produção diária nacional. Os navios da categoria Suezmax têm o tamanho máximo para passar pelo canal de Suez, no Egito, entre o Mar Vermelho e o Mediterrâneo.

O navio zarpou do Porto de Suape, a 50 quilômetros de Recife, com destino à Bacia de Campos, no Rio de Janeiro. Lá ele será carregado e levará petróleo para São Sebastião, em São Paulo. De São Sebastião, o petróleo seguirá para as refinarias do estado. O João Cândido deverá fazer outras rotas no Brasil antes de iniciar sua trajetória internacional.

O presidente da Transpetro, Sergio Machado, afirmou, na cerimônia de entrega da embarcação, que a indústria naval brasileira está “saindo da inércia”. “A experiência desses primeiros anos [na construção deste navio] mostrou que é necessário um choque de produtividade para que possamos chegar mais rapidamente aos níveis esperados de modernidade e competitividade. Só assim a nova indústria naval brasileira será sustentável”, afirmou.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Implante auditivo tem tamanho de um grão de arroz

O aparelho totalmente miniaturizado inclui um microfone e um acelerômetro, para detectar vibrações e convertê-las em sinais eletrônicos. Esses sinais são enviados aos eletrodos na cóclea, e daí para o cérebro. [Imagem: Case Western Reserve University/University of Utah]



Implante auditivo interno
Implantes cocleares já restauraram a audição de centenas de milhares de pessoas.
Apesar dos benefícios, eles exigem o uso de um microfone e de um equipamento eletrônico no lado de fora da cabeça, levantando questões de confiabilidade e impedindo que seus portadores pratiquem esportes como a natação.
Agora, engenheiros das universidades de Utah e Ohio (EUA) desenvolveram um protótipo de implante auditivo que pode ser colocado no ouvido médio.
Isso significa "embutir" toda a aparelhagem, tornando virtualmente impossível detectar se uma pessoa possui o implante ou não, eliminando também eventuais estigmas sociais.
Grão de arroz
No estágio atual, o protótipo mede 2,5 milímetros por 6,2 milímetros e pesa 25 miligramas.
Os pesquisadores afirmam ter com meta reduzir o pacote para um cubo de 2 por 2 milímetros até a aprovação de seu uso pelas autoridades de saúde.
O estudo mostrou que o som é transmitido de forma mais eficiente para o microfone implantado internamente se os cirurgiões primeiro removerem a bigorna - um dos três pequenos ossos do ouvido médio.
Recarga noturna
O protótipo já foi testado em corpos humanos, mas o início dos testes em pacientes deverá demorar cerca de três anos.
Nesse período, Darrin Young e seus colegas vão se concentrar na miniaturização adicional do aparelho e na melhoria da captação dos sons agudos mais baixos.
O implante ainda terá uma conexão com o mundo externo: os pacientes precisarão usar um carregador atrás da orelha durante a noite, para recarregar a bateria implantada.
Young disse que cada carga da bateria deverá durar vários dias.

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Amyr Klink

"A maior condenação a que estamos sujeitos no futuro será por omissão, por que meios para se fazer muitas coisas lindas e impossíveis existem.

Um ano é uma curiosa medida de tempo. Tantos anos as pessoas por vezes perdem vivendo com a precaução, pensando no futuro, buscando segurança na vida e, sem perceber, morrendo aos poucos, sem fazer algo de verdadeiro ..."

Ecosfera

Ecosfera
Leitura Super 10

Mahatma Ghandi

Mahatma Ghandi
Ajuda-me a dizer a verdade diante dos fortes e a não dizer mentiras para ganhar o aplauso dos fracos. Se me das fortuna, não me tires a razão. Se me das o sucesso, não me tires a humildade. Se me das humildade, não me tires a dignidade. Ajuda-me a enxergar o outro lado da moeda, não me deixes acusar o outro por traição aos demais, apenas por não pensar igual a mim. Ensina-me a amar aos outros como a mim mesmo. Não deixes que me torne orgulhoso se triunfo, nem cair em desespero se fracasso. Mas recorda-me que o fracasso é a experiência que precede ao triunfo. Ensina-me que perdoar é um sinal de grandeza e que a vingança é um sinal de baixeza. Se não me deres o êxito, da-me forças para aprender com o fracasso. Se eu ofender ás pessoas, da-me coragem para desculpar-me e se as pessoas me ofenderem, da- me grandeza para perdoa-las. Senhor, se eu me esquecer de ti, nunca te esqueças de mim.

Revolução da Alma

Ninguém é dono da sua felicidade, por isso não entregue sua alegria, sua paz sua vida nas mãos de ninguém, absolutamente ninguém. Somos livres, não pertencemos a ninguém e não podemos querer ser donos dos desejos, da vontade ou dos sonhos de quem quer que seja.

A razão da sua vida é você mesmo. A tua paz interior é a tua meta de vida, quando sentires um vazio na alma, quando acreditares que ainda está faltando algo, mesmo tendo tudo, remete teu pensamento para os teus desejos mais íntimos e busque a divindade que existe em você. Pare de colocar sua felicidade cada dia mais distante de você.

Não coloque objetivo longe demais de suas mãos, abrace os que estão ao seu alcance hoje. Se andas desesperado por problemas financeiros, amorosos, ou de relacionamentos familiares, busca em teu interior a resposta para acalmar-te, você é reflexo do que pensas diariamente. Pare de pensar mal de você mesmo(a), e seja seu melhor amigo(a) sempre.

Sorrir significa aprovar, aceitar, felicitar. Então abra um sorriso para aprovar o mundo que te quer oferecer o melhor.


Com um sorriso no rosto as pessoas terão as melhores impressões de você, e você estará afirmando para você mesmo, que está "pronto"para ser feliz.

Trabalhe, trabalhe muito a seu favor.
Pare de esperar a felicidade sem esforços.
Pare de exigir das pessoas aquilo que nem você conquistou ainda.
Critique menos, trabalhe mais.

E, não se esqueça nunca de agradecer.
Agradeça tudo que está em sua vida nesse momento, inclusive a dor.
Nossa compreensão do universo, ainda é muito pequena para julgar o que quer que seja na nossa vida.

"A grandeza não consiste em receber honras, mas em merecê-las."

Aristóteles, filósofo grego, escreveu este texto "Revolução da Alma" no ano 360 A.C. e é eterno.)